Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007
Tubular Engonço

Redescubro, contigo, o pedalar eufórico
pelo caminho que a seu tempo se desdobra,
recolhendo os beirais - eu que era um teórico
do ar livre - e revendo o passarame à obra.

Avivento, contigo, o coração, já lânguido
das quatro soníferas redondas almofadas
sobre as quais me entangui e bocejei, num trânsito
de corpos em corrida, mas de almas paradas.

Ó ágil e frágil bicicleta andarilha.
ó tubular engonço, ó vaca e andorinha,
ó menina travessa da escola fugida,
ó possuída brincadeira, ó querida filha,

dá-me asas - trrrim! trrrim! - pra que eu possa traçar
no quotidiano asfalto um oito exemplar !

Alexandre O'Neill; "Elogio Barroco da Bicicleta" in A Saca de Orelhas, 1979



segismundoquê? às 17:32
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