Quinta-feira, 24 de Maio de 2007
Amor e paciência

"...Quando pensava nela, ficava pasmado por ter deixado partir aquela rapariga com o seu violino. Agora, claro, percebia que a proposta abnegada que ela lhe fizera era irrelevante. Tudo de que ela precisava era da certeza do seu amor e de que ele lhe garantisse que não havia pressa, quando tinham a vida inteira pela frente. Amor e paciência - se ao menos ele tivesse possuído os dois ao mesmo tempo - por certo tê-los-iam ajudado aos dois. E então que crianças por nascer teriam tido as suas oportunidades, que menina com uma fita no cabelo se teria tornado a sua filha adorada? É assim, não fazendo nada, que todo o curso de uma vida pode ser alterado. ..."
(pag.128)
 

"Na praia de Chesil" é o mais recente romance de Ian McEwan.
Com a sua habitual mestria, fala-nos de dois jovens, Edward e Florence,  que casam em 1962 e partem para lua de mel. Hospedam-se num hotel de praia e vão viver uma situação em que vêm ao de cima todas as suas angústias relativas a questões de natureza sexual.
A noite de núpcias não corre nada bem e o casamento entra imediatamente em crise...
A vida de cada um deles segue depois o seu próprio rumo, mas no final coloca-se a questão da citação acima apresentada - a importância que brevíssimos instantes têm na determinação de todo o curso de uma vida, e a impossibilidade de avaliação imediata da justeza e/ou consequências de certas atitudes.
Edição da Gradiva; Abril 2007; tradução de Ana Falcão Bastos


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segismundoquê? às 13:51
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