Quarta-feira, 7 de Março de 2007
50 anos de Televisão
A Televisão pública faz 50 anos. É, mais ou menos, da minha idade e a minha geração foi a primeira em que esta nova forma de comunicação exerceu uma importante influência. Lembro-me, apesar de ser muitíssimo pequeno na altura, da primeira televisão que vi. Foi em casa dos meus avós maternos e o “aparelho” estava colocado sobre uma prateleira quase à altura do tecto da sala, num dos cantos da mesma. Poucas pessoas tinham acesso ao serviço da RTP. A grande maioria, nos primeiros anos, deslocava-se a locais públicos para assistir às emissões (cafés, sociedades recreativas, etc), em alguns casos transportando o seu próprio banquinho para tomar lugar na sala.
Recordo-me ainda das primeiras séries que nos entusiasmavam nos anos sessenta : O Ironside, o Santo( com Roger Moore e o seu Volvo), o Bonanza... e depois os Vingadores ( e a fantástica Miss Peel), a Missão Impossível, o Mr Solo, o Zorro (Lone Ranger) , o índio Tonto e o (Hi-o) Silver. As ridículas “conversas em família” de Marcelo Caetano e os discursos patéticos de Américo Tomáz (... a última vez que o Presidente da República aqui esteve....). A Sandie Shaw descalça na Eurovisão.O Boletim meteorológico com Anthímio de Azevedo e um mapa-quadro onde escrevia a giz....
E das grandes figuras como o Jorge Alves (...olá amigos...) e o Cartaz TV, o Sousa Veloso e o seu “despeço-me com amizade” no TV Rural, o António Lopes Ribeiro e o Maestro (diga bôa nôte...) António Lopes, apresentando o Museu do Cinema, com os grandes clássicos do Charlot e do Buster Keaton, Vitorino Nemésio e o “Se bem me lembro”, os “Concertos para Jovens” com o maestro Leonard Bernstein ( fantástico), o Dr.Ramiro da Fonseca e um programa sobre saúde, o Vasco Granja e o cinema de animação, os programas de divulgação de poesia de Germana Tânger e de Mário Viegas, o jovem e excêntrico maestro Vitorino de Almeida, de Viena de Áustria, o Inspector Varatojo e as suas perguntas no intervalo dos policiais, o Alves Barbosa e as reportagens de ciclismo, Fernando Pessa e o “e esta hein?”, Alberto Pimenta e a "Arte de Ser Português". Lembro também o começo das emissões à hora do almoço, com uma série diferente em cada dia na semana : o Viver no Campo ( com o porco Arnold Ziffel e o Mr Haney), o Mr.Eddie'sFather (não era o nome exacto, mas pronto...), os Monty Phyton ( Malucos do Circo), etc. A chegada de Armstrong à Lua, vista a altas horas da madrugada, bem como o combate entre o Kassius Clay e o Joe Frasier... mais tarde a vitória de Carlos Lopes nos Jogos Olímpicos , o Zip-Zip, em especial a entrevista com Almada Negreiros e a Pedra Filosofal com Manuel Freire.....a chegada da côr....”O Tal canal” do Herman, as gloriosas quartas-feiras internacionais do Benfica (grande Filipovic!), os tempos de antena das dezenas de pequenos partidos e grupos políticos a seguir ao 25 de Abril....
E tantas outras boas recordações, sem dúvida.
Hoje a televisão já não tem para mim a importância que teve nesses tempos. Sou um fraco espectador, por “culpa” minha e, penso, também por “culpa” do decréscimo de qualidade geral da programação. Outros tempos.


segismundoquê? às 22:36
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