Quinta-feira, 5 de Abril de 2007
A Amizade e o Absurdo da Guerra
Richard Zimler é um escritor americano, há uns anos radicado em Portugal. Vive e dá aulas no Porto. Tornou-se particularmente notado quando publicou “O Último Cabalista de Lisboa”,excelente romance histórico, que li há uns anos e de que gostei bastante.
 
"À Procura de Sana  é um romance muito interessante, quer do ponto vista formal, quer do próprio “conteúdo”. Desenvolve todo o processo narrativo na fronteira entre o real e a ficção, mantendo o suspense ao longo das quase trezentas páginas, com alguns momentos em que o leitor é verdadeiramente surpreendido por situações inesperadas.
O assunto central é polémico, mas tratado de forma não maniqueísta, o que não é fácil tendo em conta a sua actualidade e as próprias origens do escritor : a situação do Médio Oriente, o conflito Israelo-Palestiniano, o 11 de Setembro de 2001 e o financiamento das redes terroristas.
 
A história começa em Fevereiro de 2000, num hotel em Perth, na Austrália, onde o autor conhece Sana quase por acaso, enquanto toma o pequeno-almoço. Na tarde do dia seguinte, ele vai testemunhar o presumível suicídio de Sana, que cai duma janela do mesmo hotel.
Sana estava integrada num grupo de dança brasileiro, mas é de origem palestiniana, e o autor/narrador vai investigar o seu passado. Trava então conhecimento com Helena, israelita e amiga de infância de Sana, desde os tempos em que viviam em Haifa, numa época (anos 50) de convivência entre as duas comunidades. A amizade entre as duas mulheres vai crescendo, paradoxalmente, à medida que o conflito israelo-palestiniano se vai agravando. Lida-se então com o absurdo relacionamento entre a referida amizade e a desconfiança, a mentira e as ilusões próprias do contexto político envolvente. Zimler faz decorrer a acção em vários locais, desde Paris a Bolonha, da Palestina a Nova Iorque, e apresenta-nos os familiares das duas mulheres (Sana e Helena, palestiniana e israelita). Tudo pessoas “normais” envolvidas, por força do conflito, em situações absurdas e surpreendentes.
 
A parte final da história tem já mais a ver com os atentados de 11 de Setembro e o epílogo (em 2004) é surpreendentemente perturbador e ousado. Para ler e pensar, sem dúvida.
 
Edição da Gótica, 2006; tradução de José Lima.

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segismundoquê? às 19:50
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