Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2007
Economês? Não, obrigado !

Uma mentira, mil vezes repetida, transforma-se num preconceito.
Elementar, meu caro Sócrates. Qualquer político de pacotilha conhece esta máxima.

Vem isto a propósito da intoxicação que nos andam a impingir, há não sei quantos anos (não, meu caro Sócrates, não és o primeiro) sobre a insustentabilidade do sistema de segurança social. Abençoados economistas e seu economês (dialecto que utilizam para parecerem importantes e indesmentíveis). Querem fazer-nos crer que se gastamos X em pagamento de pensões e reformas, teremos que cobrar, pelo menos, o mesmo X nos descontos feitos aos rendimentos de quem trabalha, ou então não vai haver "massa" para pagar aos futuros aposentados, pelo que há que adiar a idade de reforma, reduzir o seu valor pecuniário, blá, blá , blá.... Ora isto não passa de uma pretensa lógica de merceeiro(perdoem-me os ditos), pois é evidente para qualquer ser medianamente inteligente, que não é assim que se gerem as contas públicas.
A existência do estado é um avanço civilizacional, que tem (ou já teve, eu já não digo nada...) como objectivo, eliminar ou, pelo menos, atenuar os resquícios da barbárie, ou seja, as grandes diferenças sociais, utilizando, para tal desígnio, o dinheiro público para garantir (tendencialmente, já se sabe) os mesmos direitos e serviços a todos os cidadãos.
O estado tem receitas e tem despesas. Ponto.
É sua obrigação, através da acção de políticos democráticamente eleitos, gerir os seus fundos de forma adequada, encontrando os equilíbrios e transferências que permitam a sustentabilidade de todos os sub-sistemas. Há muitos sectores onde se gasta muito dinheiro e que não têm quaisquer receitas - o que é normal. E há outros que geram mais receita que despesa. Também normal. Porque falam então os senhores economistas (nem todos) apenas em alguns?
Hoje em dia, quando defendo estes pontos de vista, quase me sinto um E.T., pois para muita gente, economistas e não só - cá está o efeito da repetição das mentiras - o (neo)liberalismo é o que está a dar : ele é utilizadores-pagadores, ele é privatizações de serviços de justiça e de saúde, ele é liberalização da educação e transformação das universidades em fundações....
Defender tudo isto e , ao mesmo tempo, queixar-se da carga fiscal e desancar na função pública. Só se pensarem que somos todos parvos!

O que precisamos, e os economistas sabem, mas parecem esquecer (enfim, nem todos), é de aumentar as receitas do estado - isso sim, melhor estado! - e ir buscar o dinheiro onde ele está.
Perceber que problemas como os da produtividade ou da sustentabilidade da segurança social, estão, acima de tudo, relacionados com a má formação de grande parte dos empresários portugueses (nem todos, claro!), que se está nas tintas para tudo o que não seja o seu Jaguar.
Subsídios, eliminação da concorrência, concertação de preços, corrupção, fuga aos impostos,contratos precários, despedimentos. Mercedes( para variar), apartamento(s) para a(s) amante(s), férias nas Caraíbas, off-shores, deslocalizações e falências fraudelentas. Estas são as duas únicas páginas da sua cartilha. E, depois, 80% declaram prejuízos ( dados do INE).
E será que há vontade para encarar, e tentar modificar, esta situação?
Não me parece.

Este país não pode ser governado por maiorias absolutas. Mais a mais, quando o principal partido da oposição é mais do mesmo. E também o governador do Banco de Portugal. E até o Presidente da República.
Mais dois economistas, aliás.

ilustração: Mário Roberto


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segismundoquê? às 18:56
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